Depositos a Prazo

Maio 09 2011

Os juros dos depósitos de taxa crescente sobem mas continuam pouco atractivos.

São boas notícias para as famílias que têm algumas poupanças. À semelhança do que acontece com os tradicionais depósitos, também os depósitos de taxa crescente - ou seja, aqueles produtos em que a remuneração vai subindo ao longo do período de vida - estão a ficar um pouco mais atractivos. O Diário Económico analisou os depósitos de taxa crescente disponíveis no mercado para prazos superiores a um ano em 10 instituições financeiras diferentes. A saber: CGD, BCP, Santander Totta, BES, Montepio, Crédito Agrícola, Barclays, Banif, BiG e Banco Best. O BPI e o ActivoBank não foram incluídos nesta análise pelo facto de não terem disponíveis produtos com estas características. O Banco Popular também foi excluído porque apesar de ter alguns depósitos de taxa crescente são produtos para prazos inferiores a um ano.

No total foram analisados 29 depósitos de taxa crescente e há um dado que salta à vista: comparando as actuais taxas oferecidas pelos bancos para este tipo de aplicações com os juros oferecidos há nove meses atrás é possível verificar que os bancos estão a subir a remuneração destes produtos. Por exemplo, para os depósitos de taxa crescente a três anos os bancos estão a praticar, em termos médios, uma taxa de juro anual líquida de 2,5%. Um valor que compara com os 1,78% oferecidos pelas instituições no final de Julho do ano passado. E esta tendência é transversal para todos os prazos de investimento.

No entanto, e apesar desta melhoria de remuneração, tal não significa que aplicar num depósito de taxa crescente seja sempre uma boa opção face aos produtos mais tradicionais- principalmente num contexto em que as taxas interbancárias estão numa trajectória ascendente. Os números mostram que os cinco melhores depósitos tradicionais a um ano oferecem taxas líquidas que variam entre os 2,75% e os 3,34%, segundo dados da Deco. São taxas superiores à maioria dos juros praticados nos depósitos de taxa crescente a dois, três, quatro e até cinco anos.

Outra desvantagem identificada nestas aplicações tem a ver com o facto de os bancos praticarem remunerações semelhantes para prazos de investimento distintos. Ou seja, nem sempre o facto do investidor manter o seu dinheiro aplicado por um período alargado (quatro ou cinco anos) é devidamente recompensado. Por exemplo, a taxa média líquida oferecida para os depósitos de taxa crescente a cinco anos é de 2,589%. Trata-se de um juro muito semelhante ao praticado em média para as aplicações a três anos (2,53%) e até a dois anos (2,03%). Ou seja, convém pensar duas vezes para verificar se compensa manter o seu dinheiro parado por um período de investimento tão alargado num depósito de taxa crescente, quando podem existir no mercado outras soluções de poupança mais atractivas. E elas existem. Por exemplo, para um prazo de cinco anos, poderá aplicar o seu dinheiro nos Certificados do Tesouro, que em Abril beneficiam de uma taxa de juro anual bruta de 6,8% (ou 5,33% em termos líquidos) para quem mantiver o dinheiro aplicado durante cinco anos. Contas feitas, se aplicar 1.000 euros em Certificados do Tesouro chegará ao final de cinco anos e obterá uma mais-valia de 266 euros. Mas mesmo que não queira investir em Certificados do Tesouro existem no mercado depósitos a prazo tradicionais (de taxa fixa) que podem ser mais atractivos face aos juros oferecidos nos depósitos de taxa crescente para o mesmo período. O BPI, por exemplo, tem um depósito de taxa fixa a cinco anos que prevê em termos líquidos uma taxa anual de 3,016%. Trata-se de um juro superior ao oferecido na maioria dos depósitos de taxa crescente para o mesmo prazo.

Mas este não é o único alerta que os investidores devem ter em conta na altura de escolherem um depósito de taxa crescente para fazer crescer o seu dinheiro. É preciso estar atento à publicidade feita pelas instituições financeiras. Isto porque alguns bancos continuam a destacar nos seus folhetos a taxa mais elevada do depósito a prazo que, regra geral, se refere apenas ao último trimestre, semestre ou ano de vida do depósito. Estas taxas "enchem o olho"- porque facilmente atingem os 5%- mas não se referem à real remuneração total que o investidor irá receber no final de vida do depósito. Assim, e para ter uma ideia concreta do rendimento que o depósito de taxa crescente lhe irá proporcionar, deverá ter em conta a taxa anual nominal líquida (TANL).

Um outro inconveniente que a maioria dos depósitos de taxa crescente apresenta é o facto de não permitir reforços, nem a capitalização de juros. Neste último caso, a excepção é o Caixa PopPrazo, um depósito a quatro anos da CGD que permite a capitalização de juros. Além disso, também o Montepio tem vários depósitos que permitem a capitalização de juros. E o mesmo se passa com a Conta Poupança Crescente do Banco Best.

Por outro lado, de notar que alguns dos depósitos de taxas crescentes são de subscrição sujeita a algumas condições. Por exemplo, o Depósito Crescente Mais da CGD é vocacionado para novos montantes que entrem na instituição e que sejam provenientes de outros bancos. Também o Somar é Ganhar do Montepio e o Depósito Crescente Cinco anos do Santander seguem a mesma filosofia. Outros produtos só podem ser subscritos pela internet. E há outros que têm limites mínimos de subscrição mais elevados (5.000 ou 10.000 euros) ou então estabelecem limites máximos de investimento.

Independentemente das limitações encontradas, há produtos de se destacam pela positiva. No prazo a cinco anos, os depósitos de taxa crescente do Santander Totta destacam-se. No caso das aplicações a quatro anos é o BiG que apresenta a melhor taxa. Já para o prazo a três anos, o Santander e a CGD apresentam as melhores taxas. No caso dos depósitos a dois anos, o Banif apresenta a taxa mais atractiva. Conheça de forma detalhada os melhores depósitos de taxa crescente para os vários prazos.


Os melhores depósitos de taxa crescente

Até dois anos
Foram analisados nove depósitos de taxa crescente para um prazo que varia entre um e dois anos. A remuneração oferecida para estes prazos é, em regra, pouco atractiva quando comparada com os melhores depósitos a prazo tradicionais com taxa fixa a um ano- os cinco melhores oferecem um juro líquido que varia entre os 2,75% e os 3,34%. Já nos depósitos crescentes a melhor taxa até dois anos pertence ao Depósito Crescente a 2 anos do Banif que prevê uma TANL de 2,601%.

Três anos
É neste prazo que existe uma maior oferta de produtos. No total, foram analisados 11 produtos e aqui as remunerações são muito diferentes: variam entre os 1,178% (taxa líquida) do Depósito Super Crescente Mais do Crédito Agrícola e até aos 3,14% do Rendimento Premium do Santander Totta. Uma diferença que pode ter um impacto importante na evolução das poupanças. Por exemplo, se aplicar 5.000 euros no primeiro depósito irá receber no conjunto dos três anos 176 euros em juros. Já se optar pelo segundo depósito a mais-valia que obterá será de 471 euros.

Quatro anos
Também aqui existem algumas discrepâncias face aos valores oferecidos entre as várias instituições. Os juros anuais oferecidos para os depósitos de taxa crescente para este prazo variam entre os 1,305% líquidos do Poupança Crescente Júnior do BES ( exclusivo para subscritores com idade inferior a 18 anos) e os 3,3% líquidos do Depósito Rendimento Anual 4X do banco BiG.

Cinco anos 
Para este prazo, a oferta de depósitos de taxa crescente não é muito vasta: encontrámos apenas quatro produtos. E quem domina este segmento 
é o Santander Totta, com três depósitos a cinco anos. Em termos médios os produtos desta categoria oferecem uma remuneração anual líquida de 2,59%. O depósito com a taxa mais atractiva é o Rendimento + do Santander Totta que oferece um juro médio anual líquido 3,61%. Esta é taxa é válida caso o investidor mantenha o dinheiro aplicado por um período de cinco anos.

fonte:http://economico.sapo.pt/noticias/bancos-que-tem-depositos-de-taxa-crescente-com-melhores-juros_116455.html

publicado por adm às 22:48

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